22 de dezembro de 2010

Sobre a Comunicação Linguística

Neste texto, eu serei uma pessoa do dia-a-dia. E utilizo a locução "pessoa do dia-a-dia" para provocar você, já que você pode ter pensado que eu acabei de me colocar em uma posição de superioridade; ou seja, se você assim pensou, é porque é possível que você esteja descontente com a qualidade das pessoas "normais" do nosso cotidiano. Mas, voltando à idéia inicial, eu disse que queria ser uma pessoa do dia-a-dia neste texto porque não utilizarei termos provenientes da tradição filosófica, ou seja, eu tenho a intenção de fazer desse texto um meio para a compreensão do que eu tenho em mente sobre a comunicação. E é em cima da questão da intencionalidade que eu traçarei minhas idéias.

Parece-me claro que as palavras passam a ter sentido na medida em que ganham significações. Se eu digo "você é uma pessoa do dia-a-dia" e alguém se torna ofendido pela minha frase, é porque dentro do nosso jogo de linguagem, a expressão "pessoa do dia-a-dia" se tornou pejorativa. Entretanto, eu pergunto: "onde está, em-si, a ofensa nesta locução?". Ela não existe, pois a linguagem passa pelo filtro da compreensão. A compreensão, por sua vez, é subjetiva e, ao mesmo tempo, objetiva, pois a objetividade das coisas dependem da vetorização das subjetividades. Traduzindo: você está lendo este texto em um blog (objetividade) porque várias pessoas (vetorização das subjetividades) utilizaram a palavra "blog" para definir este meio que possibilita a comunicação; caso a tradição houvesse inferido que este mesmíssimo meio de comunicação fosse uma "bicicleta", você estaria lendo na minha "bicicleta", e a palavra "blog" se encontraria fora de contexto. Pode parecer um absurdo pensar as coisas dessa maneira, mas de certa forma somos passivos neste processo de formação da linguagem (o que pode ser mudado através da criatividade). É óbvio que eu posso de forma livre afirmar que tenho uma "bicicleta" chamada Animus Mundus, mas poucas pessoas entenderiam que eu estaria falando de um "blog", e, caso entendessem, acabariam por ter entrado na minha comunidade de comunicação.

Falarei sobre a questão da comunidade de comunicação. Existe uma maneira exemplar de escrita ou de fala: pronunciar aquilo que se deseja pronunciar. O que significa isso? Bem, o entendimento tem um caminho complicado a ser traçado quando o pensamos na estante da comunicação. A comunicação precisa de um locutor e um interlocutor - é impossível você se comunicar com você mesmo (a não ser que você afirme que o seu corpo é dialético: você e não-você ao mesmo tempo) e não é possível que ambos partilhem dos mesmos significados frente as mesmas palavras. A intenção do que você deseja falar não precisa dizer respeito à sua comunidade de comunicação (pois senão seria impossível resgatar o sentido originário das palavras), mas o pressuposto báisco é de que ela está sim, neste contexto. Se eu quero falar da razão com uma pessoa que não está no ambiente da filosofia, eu tenho que presumir que ela está entendendo o que eu digo no sentido da Revolução Francesa (como algo positivo, que gera equilíbrio e comedimento entre as pessoas). Caso eu queira cavar o sentido da palavra no contexto Grego Antigo, utilizarei a palavra λόγος (que significa colher, retirar, colocar, medir). A mesma palavra e sua derivação possuem signfiicantes diferentes, dependendo de seu contexto.

Se não é uma atividade simples organizar nossas próprias idéias, imagino como uma outra pessoa, alguém exterior a você, poderá as compreender como você as quis inferir. Não é à toa que existem tantas falhas (interpretações que não se adequam à intenção da fala do interlocutor) na comunicação e vícios no que se refere às próprias palavras (por exemplo, a palavra "amor" que antes contava com seis outras palavras para se fazer entender, e hoje significa uma mera "simpatia" no jogo de linguagem). Esta falha comunicativa é compreensível, pois passamos por um processo de formação distinto na construção de nosso vocabulário, e é improvável que tenhamos as mesmas significações para as mesmas palavras. Entretanto, para nos fazermos entender, temos que também entender o que as pessoas entendem pelas mesmas palavras, pois é notável que as palavras mudam de significações e ganham vícios com o decorrer da história. Seria interessante, antes de tudo, que as pessoas tivessem uma preocupação etimológica com as palavras e saber de onde é derivado a nossa língua, seja do grego, seja do latim.

Por Italo Lins

13 de junho de 2010

O Limite entre Convicção e Loucura

Estava pensando.

Acreditar é o que importa. Para usar um exemplo extremo: para quem acredita em Deus, Deus existe. Entretanto, é loucura - idiotice, talvez - deixar tudo 'nas mãos de Deus'. Mas, ora, se alguém que acredita veementemente em Deus, deixa tudo nas mãos Dele, teoricamente, Ele existe e vai cuidar de tudo.

O mesmo vale para nossas convicções - não seria religião uma convicção? - e relações entre as pessoas. Cada um de nós vive 'uma realidade' diferente, já que a realidade é aquilo que nós percebemos, e, claro, todos percebemos de maneiras diferentes. Logo, todos somos loucos em algum grau.

Então, qualquer coisa que nos altere a percepção - há uma percepção 'normal'? - é um alucinógeno, um acesso de loucura, um paralelismo ao universo 'real'. Qualquer sentimento, qualquer sensação, até mesmo o humor que você está sentindo agora é, em algum nível, loucura.

"Ou a própria Tia Flora, quem pode provar que não?" Ora, para Caio, aquela estrela era Tia Flora. E qualquer um que dissesse que não era, poderia acreditar que não fosse, mas isso, para Caio, não importava. Ele tinha fé, e acreditava. Como em "À Procura da Felicidade", todos diriam que o personagem de Will Smith era louco, por tentar coisas tão improváveis, mas não. Ele estava certo em fazer cada uma daquelas coisas.

Até que ponto nós devemos nos ater a nossas próprias crenças, e esquecer o que o resto do mundo acha? Até que ponto nós devemos ignorar a pressão social, e fazer revoluções - por menores que sejam - em nossas vidas? A pressão social é exatamente 'o chamado da realidade'. O coletivo lhe privando da individualidade, fazendo com que você aja como eles.

29 de abril de 2010

Imagens do Telescópio Espacial Hubble


Trago mais um episódio para a coleção "quão pequenos somos nós perante o universo?" para o blog. Desta vez, o instrumento de análise será o telescópio espacial Hubble, o qual foi lançado pela primeira vez pelos Estados Unidos no ano de 1990. A exibição em questão data uma das últimas visitas do telescópio à órbita de nosso planeta, mostrando inúmeras outras galáxias existentes frente aos nossos horizontes. Por mais que eu acredite que haja inúmeros outros elementos mais importantes e se tratar que visitar ao espaço, garanto que o vídeo é extremamente interessante e persuasivo em relação à nossa pequenez frente ao universo.

Por Italo Lins

28 de abril de 2010

O Manual de Instruções da Vida


Como sabiamente relatava Heráclito de Éfeso mais de dois mil anos atrás, "a natureza gosta de ocultar-se". O que existe de mais natural na realidade que a vida? Há milênios, como pode-se perceber, os humanos procuram apreender o porquê de sua existência e seu lugar no mundo, e ao perceber que tal resposta encontra-se distante de sua capacidade cognitiva, começa-se uma onda de especulações Nesse ponto nascem concepções sobre a metafísica, que em nossa sociedade aparece fortemente agregada às religiões e até mesmo em livros/palestras de auto-ajuda ou filosofias mascaradas - embora em lato sensu "metafísica" vai muito além das divagações religiosas.

Eu percebo então que todas essas interpretações da vida (religiões, falsas filosofias...) são unicamente uma especulação em forma de válvula de escape, ou em outras palavras, uma maneira de canalizar o desespero do homem frente à sua perplexidade em relação à natureza. Principalmente quando nos damos conta que "o jogo da vida começou antes de nós termos nascido". Entretanto, como é facilmente perceptível, há inúmeros pontos negativos relacionados a essas teorias como a dominação intelectual e a dominação social. Mas eu não agrego características unicamente ruins às religiões, pois, como afirmava William James, a concepção de Deus ou de deuses causa efeitos reais positivos na psyché dos homens. E esses efeitos podem ser de fatores éticos e existenciais. Mas essa ética cristã elimina por completo o conceito de enteléquia (um fim em si mesmo) da moral, pois notamos que, como na obra "Dias na Birmânia" de George Orwell, o bem não é feito pela vontade de fazer o bem e sim pela vontade de obter a salvação. Ou seja, a religião corrompe o homem. Mas o homem que não possui a moral, tem de ser "domado" de alguma forma para que possa conviver em sociedade.

E dentro das próprias religiões, como podemos observar no vídeo acima, há um certo medo de existir. A analogia dos armários do curta acima pode ser interpretada não apenas no âmbito religioso, mas em qualquer diferença existente entre os homens: culturais, sociais, físicas, morais, etc. E creio que a cabe a cada um de nós o respeito perante essas diferenças, mas sempre buscando algo universal entre os homens - que por sua vez, é a grande dificuldade da eminência da moral enquanto instrumento social, pois, não é complicado notar que a resposta da existência dos nossos seres permanece oculta, e assim permanecerá por tempo indeterminado.

Por Italo Lins

15 de abril de 2010

BBC's Beethoven: A Genialidade de um Músico


Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6

Falar de música é um exercício não apenas excitante, mas honroso. A música resume-se a algo maior que um mero hobbie, ela torna-se uma ilustração da vida, uma interpretação da existência, uma fórmula de exprimir sentimentos ao público. Eu creio que se a música fosse tratada dessa maneira, toda a estrutura comercial perante essas vibrações sonoras iria ruir, junto com todo esse lixo que somos obrigados a nos esquivar de ouvir nas rádios e na televisão - com raras restrições.

Mas a música já foi tratada de uma maneira ainda mais sublime do que a qual escrevi. Mozart, Wagner, Bach, Strauss, e por fim, Beethoven são grandes evidências que me fazem comprovar que a música é algo divino, mágico. Não digo apenas no gênero clássico, mas realmente, hoje, é complicado de fazer menção a alguma banda ou cantor em especial. Talvez, pela minha cultura, eu pudesse incluir músicos regionais que executam frevo, mpb e até mesmo o samba.

Como o sujeito em questão é Ludwig van Beethoven, um compositor genialíssimo que há meses tem proporcionado momentos de deleite ao meu espírito, podemos encontrar esse documentário da BBC sobre parte de sua vida. A BBC tem uma forma bastante agradável de tratar figuras ou fatos históricos em seus relatos (como foi o caso de Charles Darwin), e nesse momento, não foi muito diferente. Embora eu possa dizer que o documentário não é fascinante historicamente falando - pois há sempre um ímpeto de tornar heróico um personagem - ele o é interessantíssimo para quem quer conhecer as músicas de Beethoven e o que de certa forma passava por sua cabeça, já que basearam-se nos escritos do próprio pianista e de seus contemporâneos para montar a história.

Então eu considero o documentário acima um must-see não apenas para os que conhecem a história ou as composições de Beethoven, mas quem sabe, principalmente para aquelas que ainda não o conhecem e podem se deixar levar pela harmonia de suas músicas. Espero então, que com o tempo, a música volte a ser respeitada, pois, hodiernamente, não consigo conceber idolatrias a uma máquina comercial com roteiros pré-definidos em introdução-verso-refrão-verso-refrão-outro-fim, artistas essencialmente postos por estética e talentos verdadeiros depositados de lado. Para não criar polêmicas, não citarei nenhum artista em especial, mas a grosso modo, incluiria todos que tocam na rotina contemporânea.

Por Italo Lins