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11 de janeiro de 2010

Ano Novo, Gestalt da Cor e Jung


Para não perder a oportunidade de celebrar essa época de ano novo, dediquemos ao menos um post para essa data tão comemorada por todo o mundo, em todas as culturas. Afinal, nosso ano viveu apenas 11 dias.

Astronomicamente falando, o dia do ano novo, por si só, é inteiramente insignificante e indiferente para a Terra. É só o fato de o planeta ter terminado de dar uma volta na sua órbita elíptica em torno do sol.

Tecnicamente falando, é somente quando o Papa Gregório Num-sei-quanto instituiu que seria o ano novo no calendário gregoriano.

Economicamente falando, é uma ótima época - seguida do solstício de inverno no hemisfério norte, também chamado de Natal - para vender roupas e outros artigos, principalmente brancos.

Emocionalmente falando, é uma ótima época para se fazer promessas, sonhar com objetivos.

De qualquer maneira, é uma época importante, especial. É marcante, quer queira, quer não. Toda a nossa sociedade se guia em termos anuais. Isso faz com que as pessoas tentem atrair coisas boas para elas, das mais diferentes maneiras possíveis.

Um dos artifícios mais curiosos que as pessoas gostam de usar para atrair sorte no ano que vem chegando é a de usar roupas de cores correspondentes ao que elas desejam. Amarelo para prosperidade, vermelho para paixão, branco para paz, e por aí vai. Interessantíssimo esse fenômeno, já que se relaciona a como nós percebemos as cores e as sensações que elas nos causam.

Muito disso se baseia na Gestalt das cores, ou seja, no estudo da percepção visual, de como as cores afetam a psique humana, tanto consciente quanto inconscientemente. Mesmo assim, praticar essa superstição de ano novo é tão eficaz quanto lamber uma pedra para fazer chover.

Entretanto, algo que se perdeu ao longo do tempo é que essa época, de fato, é uma época para mudanças. Essa época é propícia para tal porque, devido à confluência de pensamentos, surge uma egrégora que influencia todas as pessoas.

Essas egrégoras - conjuntos de pensamentos - são mais comuns e óbvias do que parecem. Sabe quando você se sente "levado" pelo ambiente, em uma boate, academia, teatro, show, enfim, em qualquer aglomeração de pessoas? É a psicologia do comportamento: é porque você está sendo influenciado - e não controlado - por essa egrégora. Eu já ouvi as pessoas chamando isso de diversas outras coisas, mas todos já sentimos isso.

Além disso, muito dessa idéia de renovação e a superstição constitui um conjunto de memes, que, ao longo das gerações, acabou perdendo todo o sentido, nos deixando com crenças infundamentadas. Memes são unidades de comportamentos e pensamentos passados de geração em geração na sociedade, através de quaisquer meios. Moral, língua, valores estéticos, entre outras coisas. Esse termo foi usado por Dawkins, para definir o que seria a unidade psicológica análoga ao gene.

Mesmo assim, o sentido desse ano novo renovador está contido no mito arquetípico da Fênix. Toda a idéia de morte e renascimento através do elemento transformador - o fogo - deve estar presente em nossas vidas. Ainda mais, deve ser aproveitada nesse momento propício. Todavia, não se engane por pensar que é algo que se acha no exterior; é em uma introspecção que você poderá realizar sua vontade de mudança.


Mas que fique claro que fazer aquelas promessas vazias e irreais não é nada parecido como propôr mudanças tangíveis para sua vida. A Fênix escolhe queimar a si própria para que possa renascer.

Por Eduardo Souza