29 de dezembro de 2009

Schopenhauer e o Barulho



Arthur Schopenhauer (1788-1860) foi, indubitavelmente, um dos maiores pensadores da filosofia alemã não apenas no século no qual viveu (século XIX) mas em toda a história da filosofia moderna e contemporânea. Suas idéias em mixórdia pessimista e realista chegaram a influenciar artistas brilhantes de distintas áreas de trabalho, partindo da filosofia, entrando no âmbito das ciências exatas e chegando à literatura, como Friedrich Nietzche, Albert Einstein e Léon Tolstoi, respectivamente.

O trecho narrado acima foi retirado da obra "Estudos sobre o Pessimismo" do próprio Schopenhauer, e o tema do estratagema em questão trata do "barulho". Mas não uma simples interpretação do mesmo, mas uma visão do barulho perante seus efeitos produzidos à mente de um filósofo em pleno desenvolvimento intelectual. É necessário notar, entretanto, que se alguns exemplos (como o do chicotear) são estranhamente fora de época, é porque Schopenhauer morreu há praticamente 150 anos.

Por mais que bastante interessante, achei, muitas vezes, o texto um tanto quanto preconceituoso perante os que trabalham com atividades físicas. Concordo que a intelectualidade é uma virtude, mas não há razão de se colocar em uma posição de superioridade, mesmo se tratando de um pensador distinto como Schopenhauer. Eu acredito que cada um tem uma função primordial em uma sociedade, e que se de fato fizessem suas funções com qualidade (nesse aspecto mora o problema), teríamos cidades melhores e produtivas.

Percebemos então, um pequeno olhar "inside-out" dos pensamentos de um brilhante filósofo, que embora prepotente, conseguiu ganhar meu respeito por belas idéias relacionadas à figura humana. Negrito então, que não concordo com muitos de seus pensamentos, como visto em meu texto presente, já que a diminuição da imagem humana é desnecessária (por mais que certos atos alheios sejam estúpidos) e que a perfeição está no equilíbrio (o ódio e o amor são necessários, na minha opinião).

A nível de informação, podemos notar sua influência na mente de Nietzsche quando trazemos à luz a obra "Assim Falava Zaratustra", a qual pregava a introdução de uma super raça humana (o que, entretanto, não se confunde com o regimes totalitários como o nazismo de hipótese alguma). Completando, a música de fundo neste vídeo, não por questão de coincidência, se chama "Rheingold", de Richard Wagner, amigo e inimigo pessoal de Friedrich Nietzsche.

Por Italo Lins

26 de dezembro de 2009

Conhecendo o Universo Sutilmente



O vídeo acima, produzido e retirado do acervo da entidade nova-iorquina American Museum of Natural History, conta com as mais precisas mesuras das distâncias entre os planetas, estrelas, galáxias - dentre outros corpos celestes -, conhecidas pela sociedade científica contemporânea. Embora o serviço de computação gráfica tenha sido o único meio utilizado para a feitura do vídeo, não há descrédito quando falamos sobre a veracidade das informações presentes, que apesar de vastas - e insignificantes ao mesmo tempo, perante a grandeza do universo -, são fruto de um árduo trabalho astronômico.

Sem dúvidas é assombroso perceber os avanços astronômicos e relacioná-los aos primeiros filósofos, que sem nenhum equipamento especial, conseguiram detectar o movimento dos planetas e a razão da existência dos dias e das noites por exemplo. A união irrestrita dos aspectos filosóficos e científicos só conseguiriam nos  fazer alçar saltos maiores para que cheguemos a conclusões mais corretas, como visto na postagem "Filosofia e Ciência", escrita pelo meu companheiro de atualizações do blog.

Outro foco implícito no vídeo é a questão do quão insignificantes somos frente à vida em si. Ensaiamos várias ações pensando que o mundo gira em torno de nosso eixo, quando na verdade, ele é extremamente mais complexo quanto imaginamos. Fica então a idéia de que, muito provavelmente, não estamos sozinhos se formos dar um passeio mundo afora. Mas não se esqueçam também de que "mundo adentro" temos outros inúmeros obstáculos a superar.

Por Italo Lins

23 de dezembro de 2009

Machinarium e a Lógica



Eu, particularmente, não me arrisco a pensar duas vezes antes de declarar o fanatismo que possuo por jogos de aventura - em geral, os dos anos 90. Aqueles que envolvem personagens cativantes e puzzles de tirar o sono em apenas uma tacada então, são provavelmente taxados de clássicos. Essa admiração, provavelmente, conta com algo cravado em minha infância, já que a mesma foi regada por muitos "point-and-clicks" da Lucas Arts como Full Throttle, Grim Fandango e a série Monkey Island.

Entretanto, o andar retrógrado da sociedade proporcionou uma prioridade em relação ao consumo de artefatos de fácil resolução e rápida utilização, fazendo com que principalmente os shooters como Counter-Strike ou Medal of Honor e os Massive Multiplayer Online Games como Ragnarok ou Tibia liderassem a nova rotina tecnológica, levando os adventure games ao completo marasmo.

Inesperadamente, o ano de 2009 busca seu desfecho com alguns ótimos lançamento do gênero de aventura lógica em sua bagagem, a exemplo de Tales of Monkey Island, Braid e o jogo em questão: Machinarium.

Review:

Em Machinarium, comandamos um robô de lata que busca o resgate de sua amada - sim, eles têm sentimentos -  e a salvação da sociedade a qual está sendo dominada pela ditadura dos bad robots. Não sei se você chegou a perceber, mas os personagens não possuem nomes, e ainda mais: não há diálogos falados, mas balões baseados em flashbacks que relatam o que aconteceu.



Os puzzles (desafios) são relativamente complicados e extremamente inteligentes, não ocorrendo vez alguma ações absurdas ou ilógicas - que de certa forma, é raro. Os itens podem ser combinados, doados ou aplicados conforme a necessidade, e não obstante, é requerido o processamento de desafios relativamente incomuns como mini-games parecidos com Pacman, jogos de memória e até uma (complicada) partida de gamão.



A trilha sonora consegue se encaixar perfeitamente ao ambiente metálico, sucateado e robótico da trama, e é justamente esse cenário um dos pontos fortes de Machinarium. O design dos personagens e o mundo de lata são perfeitos, e incrivelmente, tudo acabou custando apenas $1,000 dólares iniciais e a paciência de sete designers da República Tcheca.



Em Machinarium apenas um detalhe e meio é frustrante: a duração do jogo e um walkthrough (passo-a-passo) embutido. Não sei se a empolgação me fez fechar demasiadamente rápido o jogo, mas em um dia e meio, tudo estava acabado; e é nesse ponto que entra a "meia frustração" em relação ao detonado, já que embora o mesmo seja opcional, muitas vezes é irresistível - o que felizmente, não aconteceu comigo, já que tenho aversão a esse dispositivo.

Machinarium é, sem dúvidas, não apenas um dos melhores lançamentos do gênero do ano, mas da década - por mais que seja uma maratona de poucos corredores. Ficou então uma certo contentamento em perceber que é possível haver uma continuidade de bons jogos desse gênero enigmático, que por quase dez anos ficou esquecido da mente dos produtores e gamers.

Para fazer o download do jogo via torrent, clique AQUI.

Por Italo Lins

20 de dezembro de 2009

Narciso e os Outros


Antes de mais nada, leiam aqui essa versão do poema de Narciso, que, por sinal, é muito boa.

Então, todos devem conhecer o mito de Narciso, e, depois de ler esse poema, devem tê-lo compreendido melhor. O que pretendo aqui é interpretar esse mito, não do ponto de vista da psicanálise freudiana ou quaisquer outras correntes. Ainda assim, dei uma lida despretensiosa e superficial - sim, na Wikipedia - sobre isso, e das intepretações do narcisismo, concordo em diversos pontos com a freudiana mesmo.

Gostaria de interpretar o mito através dos símbolos, dos elementos, e de como ele influencia nossa vida no dia-a-dia de fato.

Quando Narciso está à beira do lago, simboliza que ele está em um momento de introspecção, contemplando, pensando, como bem mostra o poema. O lago é si mesmo. E vê sua reflexão. Claro, como Freud define o narcisismo primário, todos procuramos no exterior aquilo que está em nosso interior, segundo a nossa personalidade, formada na infância, como está consolidada em nosso ego. Narciso, então, está olhando para dentro de si e vê a si próprio.

Entretanto, ao falar consigo mesmo, em seu interior, ele recebe uma resposta externa: Eco. Outra pessoa. Entretanto, ao olhar para si e receber respostas exteriores, ele passa a procurar por si externamente. Eco, por sua vez, também possui traços inerentes à psique humana. Eco representa, ao meu ver, como nós nos relacionamos com os outros, com aqueles com quem simpatizamos - ao procurarmos nós mesmos, como aconteceu com Narciso!

Nesse ponto, é como se Narciso e Eco se unissem - em nossa mente -, pois todos nós temos um tanto de Eco e um tanto de Narciso. Esse é o amor entre Eco e Narciso, que não chegam sequer a se ver. Ele acreditou que em si, poderia encontrar os outros - por ter entrando no lago - e nos outros, encontrar a si - por ter falado com a reflexão de si como se fosse outro. Então, Narciso se afoga em si.

Aí, Narciso dá origem a uma flor. É quase uma chance de redenção. Agora, Narciso deixou de ser ele mesmo, deixou de subjugar aquelas pessoas que se apaixonavam por sua beleza, e passa unicamente a servir. A beleza que ele se torna - a flor - não mais é para fins próprios, mas inteiramente para os outros. Narciso renasceu como pura humildade.

Isso me lembrou um conto Zen, mas que fica pra uma outra postagem.

Então, narcisismo não é somente aquela pessoa que valoriza em demasia tudo aquilo que se relaciona consigo própria - beleza, esforços, trabalhos - mas também aquela pessoa que só se relaciona com as demais por elas satisfazerem à sua vontade própria. É quase um tipo de egocentrismo que faz com que essas pessoas narcisistas achem que as demais são reflexos de si próprias, ou não importam.



Enfim, posso ter passado dos limites da abstração do mito, mas, caso vocês concordem ou discordem disso, manifestem-se nos comentários!

Por Eduardo Souza

16 de dezembro de 2009

Limpando uma Cidade em 5 Horas



O movimento de industrialização trouxe inúmeras condições de conforto para o desenvolvimento da sociedade humana desde seu ponta-pé, dado pelos ingleses, em meados do século XVIII. Um deles, por exemplo, é este mecanismo pelo qual estamos nos comunicando, o computador conectado à internet. O assunto dessa postagem, entretanto, não está relacionado aos aspectos positivos, mas os negativos. Sendo ainda mais objetivo: a poluição desenfreada nos grandes centros urbanos.

Analisando o vídeo, podemos perceber que a Estônia, embora seja um país, conseguiu em apenas cinco horas, com a participação de 50.000 voluntários (em uma população de 1,3 milhão de pessoas), recolher grande parte da poluição existente em seu território.

Um dos grandes pontos positivos dessa "reviravolta ecológica" foi o fato de ter sido limpo, inclusive, em aspectos políticos. Por mais que inúmeros governantes fechem seus olhos para acordos em prol do meio ambiente como o Protocolo de Kyoto, várias empresas têm usado a "consciência ambiental" como cargo-chefe das campanhas de marketing, alienando então qualquer expectativa real de conscientização. O que não ocorre neste caso, já que contaram estritamente com a ajuda da população, profissionais da área da geografia e muita, mas muita força de vontade.

Mesmo que não possamos nos iludir ao ponto de pensar que não há um gole de milk shake acidentalmente derramado em solo estoniano, o projeto dos ativistas foi extremamente válido, sendo um exemplo para todos os civis, que têm o direito de auxiliar em questões ecológicas, políticas e sociais no dia-a-dia, tanto na formação de projetos, como no "trabalho pesado".

Com a conscientização da população, podemos nos livrar de doenças transmitidas por animais (leptospirose, dengue e infecções), melhorar a condição do ar, evitar alagamentos, e até, em uma cidade como Recife, utilizar os rios como pontos turísticos. Minha intenção com o vídeo e o texto foi demonstrar que varrer, literalmente, a sujeira de uma cidade - ou um pequeno país - é extremamente possível e seus benefícios são igualmente vastos.

Por Italo Lins

13 de dezembro de 2009

O Dilema do Porco-espinho



Só para escutar.

O dilema do porco-espinho é uma analogia bastante simples, para explicar como ocorrem as relações interpessoais do ponto de vista emocional e psicológico. Ninguém menos que Schopenhauer criou esse dilema. O objetivo dele, entretanto, era um do qual eu discordo.

A situação é a seguinte: um grupo de porcos-espinho passam pelo inverno rigoroso, e, por isso, sentem a necessidade de calor. A mais instintiva das reações é que eles se juntem, para que, próximos uns dos outros, eles possam se aquecer mutuamente. Entretanto, como você pode observar na foto ao lado, de um porco-espinho, o advento dos espinhos que eles possuem em volta de si, ferem qualquer animal que se aproxime dele. Dessa maneira, eles se ferem para que possam satisfazer suas necessidades de calor.

Mais que obviamente, os porcos-espinhos são as pessoas. Os espinhos são metafóricos. Para efeito de analogia, são todos os nossos vícios, nossas vontades egoístas, nossos erros, nossa vergonha, nossos medos. Tudo aquilo que nos impede de nos aproximarmos de outrem, que nos impede de reconhecer outro ser humano como semelhante e igual. O calor, por sua vez, é a necessidade básica do ser humano de se relacionar com os outros, formar grupos, sociedades. Ou amizades, relações de amor eros ou philia.

Para (sobre)vivermos, de fato, é necessário que nos relacionemos com as demais pessoas da sociedade, seja pela necessidade pessoal, emocional, física, material, enfim. Precisamos do calor, para ultrapassarmos o inverno rigoroso que é a vida que nos assola. Schopenhauer, ao contrário de concordar com isso e se submeter, segundo si próprio, reconheceu ser diferentes dos outros bípedes que o rodeavam, e decidiu se isolar, intelectualmente falando. Ele disse que, se um porco-espinho conseguisse se esquentar o suficiente sozinho, não seria necessário buscar os demais.

"Como para mim as pessoas com quem vivo nada podem ser, meu maior prazer na vida são os pensamentos monumentais deixados por seres semelhantes a mim, que, como eu, uma vez vagueram por entre a gente do mundo."

"(...) decidi dedicar o resto da minha vida efêmera totalmente a mim mesmo e, assim, perder o menor tempo possível com aquelas criaturas, a quem o fato de andarem sobre duas pernas, conferiu o direito de nos tomarem por seus iguais (...)"

Com toda sinceridade, é mais do que admirável essa capacidade que Schopenhauer teve de encarar sua natureza e, muito além de apenas viver à par disso, agir de maneira a aproveitar ao máximo a capacidade filosófico-intectual que lhe foi concedida.


Entretanto, não concebo a possibilidade de ocorrer tal situação nos dias de hoje. Mais do que nunca, a nossa sociedade é excludente, as pessoas, mais narcisistas (que provavelmente não significa o que você pensa; dedicarei um post para isso, nos próximos dias), e as regras sociais, mais rígidas. Quaisquer idéias que você possa ter de livre-arbítrio, liberdade ideológica, democracia ou variantes, são meramente ilusórias, e não resistem de fato a um pensamento mais crítico do que o necessário no dia-a-dia.

É extremamente necessário pesar, racionalmente, até que ponto vale a pena nos aproximarmos para buscar calor com os demais. Ainda assim, não acredito que valha a pena abdicar das pessoas, de sorrisos, de dor, de momentos. O pensamento que mais me vem à mente quando eu penso nisso é: o quão feliz foi Schopenhauer? É possível nos colocarmos em seu lugar? É justo dizer que a felicidade dele não existe, porque nós não podemos concebê-la em nosso mundo, com nossa mentalidade?

Por Eduardo Souza

7 de dezembro de 2009

Projeto da Instrumentalidade Humana

"Do tema que vos anunciei quero agora que façais juntos, em harmonia, uma grande música. E, como acendi em vós a chama imperecível, demonstrareis os vossos poderes no adorno deste tema, cada um com os seus próprios pensamentos e engenho, se assim quiser. Mas eu ficarei sentado e escutarei e feliz me sentirei por, através de vós, grande beleza ter despertado num canto."

- Ilúvatar, em O Simarillion

Como eu já disse por aqui, a música possui um grande poder sobre a mente humana. E, além disso, tem um poder até mitológico e arquetípico, como nós podemos ver no mito da criação de Tolkien, no trecho acima.

Admiro como algumas analogias são feitas, e, ao assistir ao anime Evangelion não pude deixar de me envolver com a história muitíssimo densa e um aprofundamento psicológico dos personagens dificilmente visto em qualquer outro lugar.

Recomendo assistir ao anime ou ler o mangá, mas não é exatamente sobre Evangelion que eu quero falar. É sobre um conceito que me foi apresentador por ele, e eu achei muito interessante. Esse post servirá como uma leve entrada para um delicioso almoço que prepararei nos próximos dias. Isso foi uma metáfora.

No anime, os personagens são postos sob uma grande pressão de, literalmente, salvar o mundo dos anjos. A história usa genialmente vários ícones da mitologia cristã para desenvolver um enredo apocalíptico, enquanto desenvolve a psique dos personagens incrivelmente bem. Todos possuem problemas psicológicos com os quais eles precisam se defrontar cedo ou tarde, sempre em conflito com outrem, gerando situações, muitas vezes, constragedoras e emocionalmente intricadas.

Ao longo do desenvolver da trama, você vai descobrindo mais sobre a natureza humana e como problemas psicológicos unicamente presentes dentro da mente de alguém podem mudar o mundo. Entretanto, o objetivo final não é destruir os anjos e fazer com que a Terra seja salva. Uma organização composta por 12 pessoas - mitologia cristã, também - planeja implantar o Projeto da Instrumentalidade Humana.

Esse conceito não foi criado pelo anime, mas por um escritor de ficção científica que usava o pseudônimo de Cordwainer Smith.

O Projeto da Instrumentalidade Humana consiste em tomar cada indivíduo como um instrumento musical - ou como um executor de um instrumento - dentro de uma orquestra. A analogia é clara. Se cada um tocasse isoladamente, seria possível identificar o som e cada um daqueles que tocam. Mas, se todos tocassem ao mesmo tempo, a música se tornaria única, e cada instrumentos e dissolveria em meio à música como um todo. Ou seja, quando o projeto fosse finalmente implantado, os homens perderiam sua individualidade, e se tornariam - só e unicamente - a humanidade.

No anime, eu sinto como se isso fosse tomado muito radicalmente. O protagonista precisa tomar uma decisão: ou ele mantém sua individualidade, rejeita a instrumentalidade e continua a viver no mundo apocalíptico, ou ele aceita o projeto, vive num mundo ideal, mas cada indivíduo deixa de sê-lo para dar lugar à unidade.

Eu prefiro deturpar o conceito e formular um outro tipo de Instrumentalidade. Mesmo numa orquestra, apesar da música como um todo, única, você ainda consegue distinguir cada um dos instrumentos ali presentes. As partes formam o todo, sem deixar de exercer seu papel como parte e mander sua individualidade sonora. Porque o projeto da Instrumentalidade não pode visar criar uma utopia de uma humanidade unida, uníssona, harmoniosa, e manter cada um dos indivíduos com sua identidade, sua criatividade que lhe é inerente e única?

Muito à lá Venus Project, lançado pelo Zeitgeist, não?

Claro que isso tudo se dá apenas num plano utópico e meramente teórico. A humanidade precisaria de mais alguns milhares de anos para se desenvolver intelectual e espiritualmente a esse nível. Entretanto, é um conceito interessante.

Por Eduardo Souza

6 de dezembro de 2009

Amor, Beatles e Jesus

“All you need is love, love
Love is all you need”

- John Lennon

Acredito que não preciso falar mais nada sobre essa frase. Muito presente em vários quem sou eu, nomes de álbuns e depoimentos pelo Orkut, esse trecho é muito conhecido de qualquer um. Entretanto, será que você sabe o que realmente significa?

Os gregos – sábios gregos –, ao contrário de nós, possuíam mais de uma palavra diferente para designar alguns dos diversos sentimentos que estão contidos na pequena palavra “amor”. São elas:

Agape, a mais genérica, designava afeição, ao contrário da atração sugerida pela palavra eros. Pode significar grande admiração.

Eros é o amor que inclui paixão, a atração. Ao contrário do que se pensa, não necessariamente inclui o desejo sexual, já que Platão desenvolveu o conceito de amor platônico a partir dessa palavra.

Philia é o sentimento entre amigos, pessoas próximas, familiares, ou gosto por fazer algo.

Storge é o amor natural, que se sente pelos pais e pelos filhos ou em relações familiares. Também é usado com o sentido de conivência.

Thelema se traduz, literalmente, como desejo. Todavia, eu preferiria traduzi-la como vontade. É o amor pelo ofício, por fazer algo.

Muito embora, na maioria das vezes, esses “amores” não sejam distinguíveis entre si, essa divisão certamente ajuda na expressão. Em nossa língua – e, principalmente em nossa época –, é difícil – e, por vezes, constrangedor – falar de amor. A carga semântica que essa palavra carrega é enorme, e as experiências emocionais são extremamente presentes em nosso cérebro. Lembram como eu falei no post de música sobre como as palavras afetam os sentimentos?


Acredito ser óbvio para todos – eu sempre cometo esse erro – que Lennon não quis dizer para amarmos todos da maneira eros. Mas, na verdade, o que significa amar a todos, como Lennon Jesus disseram?

Certamente, não significava sorrir falsamente e dar um “bom dia” quando cruzar com uma pessoa com a qual, inevitavelmente, você teria que passar mais de 15 segundos em um raio de 2 metros de distância. Muito menos conversar com aquela pessoa que você odeia – não, pra amar alguém, você não precisa gostar dela! – só para manter as aparências de boa convivência.

Sim, seria ótimo se todas as pessoas ao seu redor fossem fáceis de se conviver, mas isso não ocorre. Acontece de você não gostar de alguém e pronto, porque há pessoas assim por aí. É impossível ser um grande amigo de todos. Isso significa que eu não deva amá-las? Não.

É possível que você seja uma pessoa muito simpática, todos gostem de conversar com você, ninguém nunca lhe culpe de nada, nunca discuta com você e sempre gostam da sua companhia. Isso significa que você as ama e elas te amem? Não e não.

Deixando de lado os sentidos mais delicados da palavra amor – por se relacionarem com experiências de cada indivíduo –, eu gostaria de falar sobre o amor do qual o mundo de fato precisa. O amor do qual falavam Lennon, Jesus, Buda, Madre Teresa e Gandhi. É o amor que você pode ter por pessoas que você não conhece, pessoas que você nunca viu e pessoas que sequer nasceram.

Esse amor é pura e simplesmente o respeito a um ser humano. O saber do limite que você tem que ter para não violar a integridade moral de outra pessoa.

Eu não digo para você sair correndo pela rua, jogando amor em forma de arco-íris e estrelinhas por aí. Nem para sair dando abraços no pedinte que está na esquina da sua casa agora, ou mandar comida para as pessoas na África que estão morrendo de fome ou fazer campanhas pela paz. Tudo isso são macro-conseqüências de um sistema econômico, político, educacional, de saúde falhos, decadentes, caindo aos pedaços.

Nem peço para você sair sorrindo o tempo inteiro ao longo do seu exaustivo dia, esperando que cada uma das pessoas que você olhar lhe responda com um sorriso igualmente falso, fazendo parecer que tudo está certo para ambos. Entretanto, não acho que você deveria ignorar ou mandar ao inferno aquele vizinho que você odeia quando sobe no elevador com ele. Isso, muitíssimo infelizmente, são, de fato, regras sociais. Hipocrisias com as quais nós precisamos conviver e ser coniventes.

O modo de expressar o amor a que eles se referiam – e que nos é possível fazer no dia-a-dia – é muito mais simples. É ter consciência de que aquele outro pedaço de carne ambulante com quem você fala é outra pessoa, tal qual você. Apesar das infindas diferenças, experiências, ela tem tantos sonhos, desilusões e problemas quanto você. Ou mais. Ou menos. Isso é irrelevante.


A única coisa que você pode oferecer para os outros é você. Seja apenas sincero e não espere nada em troca. Você não é perfeito e você não vai agradar a todos. Entretanto, não aja, citando Schopenhauer, “Par sum unicuique et moriatur qui me contemnit!” (“Sou igual a qualquer um, e morra quem me desprezar!”). Se alguém não gosta de você, é mais um motivo para você respeitá-la. Trate-a como alguém que poderá – e provavelmente irá – mudar de opinião futuramente. Não tenha pressa para agradar os outros.

Você também possui algo que irrita outrem. Se você se sente mal com isso e acha que deve mudar, busque isso. Queira mudar e tente. Se você acha que está satisfeito com a pessoa que você é – não deveria, mas a opção é sua –, continue agindo para com os outros da mesma maneira. Só não espere sempre encontrar alguém que vai respeitar sua estupidez, já que há outras pessoas que pensam que o problema são os outros.

Ser simpático é bom. Dar um sorriso sincero é importante, para fazer com que as pessoas se sintam bem. Mas ninguém pode ser assim sempre. Como eu disse, é uma hipocrisia necessária, porém, tentar torná-la o mais diminuta possível é o melhor que você pode fazer.

O amor que é necessário é muito mais uma questão de interiorização, introspecção, para que você trate os outros conforme você gostaria de ser tratado. Amar uns aos outros como a si mesmos, porque a humanidade é unida inconscientemente, então, de certo modo, todos somos um. Tudo parte do auto conhecimento, porque, principalmente com pessoas, você só recebe aquilo que oferece.

Por Eduardo Souza

5 de dezembro de 2009

O "Cogito, Ergo Sum" Cartesiano

A frase "Cogito, ergo sum", retirada do latim, muito provavelmente é infamiliar para os ouvidos populares, mas a sua tradução para o português - "Penso, logo existo" - é incontestavelmente aprovada em qualquer diálogo de mesa de bar ou debate filosófico fervoroso.

Entretanto, essa premissa desenvolvida pelo filósofo, físico e matemático Renatus Descartes é uma das mais mal interpretadas pelo senso-comum. As más línguas chegam a obter teses do gênero: "para existirmos é indispensável o ato de filosofar" ou "sem pensar, nada somos", o que, na mesma medida são redundantes e errôneas.

Na verdade, René focou a tentativa de eliminar por completo os conhecimentos pré-estabelecidos, para assim deixar explícito o real motivo da nossa existência. Ao partir do marco zero, ele percebeu que estava a duvidar da presença de todas as coisas possíveis. Então, se duvidava, necessariamente também pensava, e se pensava, necessariamente existia. Em síntese, como uma regra de três simplória, Descartes pôde ter a certeza que existia porque pensava, emitindo então a premissa "Cogito, ergo sum" ou "Penso, logo existo.

Perceptível é que o Cogito cartesiano não conta em absoluto com aspectos morais, sendo apenas um objeto de estudo empírico e matemático. A falha, entretanto, de seu pensamento, foi adotar a existência de deus sem a devida contestação e nunca ousar desobedecer a eficiência do governo, o que acabou levando-o, de certa forma, à figura do medo e da hipocrisia. Mas nada que ofusque ou desqualifique a sua importantíssima linha de pensamento.

Concluindo, a interpretação correta não é alcançada pelo senso-comum porque simplesmente poucos possuem a vontade de ler O Discurso do Método de Descartes, já que, como visto acima, nada há de complexo em sua teoria. De fato, a teoria cartesiana tenta ser o oposto da complexidade, pois o objetivo de René era desmistificar os caminhos para um pensamento coerente em sua sociedade ao expor o modo pelo qual ele mesmo chegou às suas conclusões filosóficas - por isso o título da obra, O Discurso do Método.

Por Italo Lins

4 de dezembro de 2009

Filosofia e Ciência

Filosofia significa, literalmente, amor - ou afinidade - ao conhecimento. Seja qual for a ordem desse conhecimento, a filosofia permeia-o, pois é a mãe de todas as outras ciências. Se nos lembramos dos seus primórdios, chegaremos aos filósofos pré-socráticos, que tentavam explicar a natureza e a origem da matéria e da vida através da filosofia. Mais tarde e a princípio, a filosofia desdobrou-se em alquimia, física e química.


Inicialmente - mesmo com Descartes e Newton, e até, Kepler -, não se faziam claras separações entre "filósofo" e "físico", por exemplo. Descartes foi um gênio em sua época, sendo desde matemático a filósofo. Kant possuia um pensamento extremamente analítico e linear, que daria inveja a muitos matemáticos. Filosofia e ciência possuem relações muitíssimo estreitas entre si.

Além do mais, o que é uma ciência? Partindo do preceito mais básico, Descartes desenvolveu o método científico - base da ciência moderna - baseado na premissa de que deveríamos raciocinar para existir de fato. O que nos leva a pensar mais do que a filosofia?
Nada. Eu diria que a filosofia é uma ciência que observa fatos, desde relações humanas até metafísicas, e, a partir disso tira conclusões.

Por isso, a filosofia é sempre tão complexa, porque ela é uma ciência holística. Ao analisar, digamos, o amor, o filósofo não pode jamais se desprender de si, entretanto, não pode se deixar levar como um poeta ou um escritor. É complexa, também, porque a experiência do filósofo tem um papel importantíssimo na edificação de suas idéias; a psique do indivíduo é definível pela sua filosofia. Quem seria Nietzsche sem suas intermináveis e inexplicáveis dores de cabeça, suas doenças constantes?


O método científico, como o entendemos hoje, foi estruturado por Descartes, no início do século XVII, e foi sendo aprofundado - a partir dos mesmos axiomas - desde então, o que nos cria a primeira incoerência (que depois explicarei). Quem firmou o método científico de Descartes foi Newton, testando empiricamente todas as suas proposições e provando-as corretas na realidade física em que vivemos, fundando a física newtoniana.

Entretanto, o método cartesiano tentava ver o mundo inteiro - e, consequentemente, os elementos que o compunham - como uma complexa junção de elementos básicos. Logo, se pudéssemos dominar o conhecimento acerca do elemento básico - ora, ele é tão pequeno, deve ser fácil entendê-lo! -, dominaríamos o conhecimento acerca do todo, certo? Errado.

A primeira incoerência à qual eu me referi foi o fato de Descartes ter criado todo o método científico - em que pseudocéticos, pseudocientistas e materialistas ignorantes tanto se apóiam - a partir da premissa de que Deus existe, tal como a Igreja Católica o mostrava em 1600 e pouco. Sim, toda a base do método científico que prima pela ciência exata e pelas provas materiais do mundo se baseiam no axioma de que Deus não só existe como criou o mundo em 6 dias, moldou do barro o homem, tirou uma coste
la dele, montou a mulher, mandou um cara botar todos os animais num barco gigante e inundou o planeta inteiro, e assim por diante, coisas que todo e qualquer homem da ciência deve repudiar.

Enfim, isso é só um humilde resumo do começo de como Kapra explica a invasão da concepção cartesiana de ciência em todas as áreas do conhecimento humano em O Ponto de Mutação, leitura recomendada. Ele também explica como essa visão ajudou - porém, no presente, estar limitando - o desenvolvimento do conhecimento científico em todas as áreas.

Embora, como vimos, o método científico empírico cartesiano seja um tanto falho, - principalmente para as ciências humanas -, a filosofia não deixa de seguir esse paradigma, até certo ponto. Quais são os passos do método científico? Segundo nossa grandessíssima sábia Wikipedia, leremos:

 
"O método científico consiste dos seguintes aspectos:
  • Observação
  • Descrição - O experimento precisa ser replicável (capaz de ser reproduzido).
  • Previsão - As hipóteses precisam ser válidas para observações feitas no passado, no presente e no futuro.
  • Controle - Experiência controlada é aquela que é realizada com técnicas que permitem descartar as variáveis passíveis de mascarar o resultado.
  • Falseabilidade - toda hipótese tem que ser falseável ou refutável. Isso não quer dizer que o experimento seja falso; mas sim que ele pode ser verificado, contestado. Ou seja, se ele realmente for falso, deve ser possível prová-lo.
  • Explicação das Causas - Na maioria das áreas da Ciência é necessário que haja causalidade. Nessas condições os seguintes requerimentos são vistos como importantes no entendimento científico:
  • Identificação das Causas
  • Correlação dos eventos - As causas precisam se correlacionar com as observações.
  • Ordem dos eventos - As causas precisam preceder no tempo os efeitos observados."
O que é a filosofia, além de uma observação de um fato - no termo mais amplo da palavra -, sua descrição, a tentativa de previsão e a explicação das causas desse fato? A filosofia não é, entretanto uma ciência isolada e especializada. De fato, nenhuma ciência o é, ao contrário do que o fazem acreditar. Mas a filosofia serve de base conceitual e prática para todas as outras. Desenvolver uma ciência sem um conceito - filosofia - em seu apoio é inconcebível. Entretanto, infelizmente, a comunidade científica hoje em dia o faz. Como vimos - ou deveríamos ter visto - na entrevista com Amit Goswami, os cientistas se utilizam da negligência benigna para não "dar corda" a essas idéias.

Hoje em dia, com Kapra e Goswami - só pra constar, são os únicos que conheço, entretanto, existem outros -, há um movimento de consciência de que a micro-especialização não é de todo benéfica. Por isso essa tentativa de resgate da filosofia. Por isso ambos cientistas citados têm essa relação tão íntima com a espiritualidade e a filosofia. E, por isso, a filosofia, a ciência que une as ciências, não deve ser dissociada, separada das demais.

Por Eduardo Souza

3 de dezembro de 2009

Mutilação de Criatividade Institucionalizada

ABC; 1, 2, 3; iluminismo, regra de três e cromossomos. À grosso modo, essa é uma escala "evolutiva" que todos nós seguimos na época na qual frequentávamos o colégio. Achávamos que aprendendo a função dos ribossomos ou decorando quantas fases possui o período de interfase do núcleo celular, teríamos o necessário para ser um intelectual, um profissional extremamente capacitado, uma pessoa digna. Repare e pense: o que diabos isso tem a ver com dignidade, afinal?



Na escola nós não aprendemos mais a ser éticos, inteligentes, humanos. Digo isso em relação a nós, frutos do sistema educacional do século XX ou XXI. Não tenho medo de falar que não fomos ensinados a ser humildes, e que nossos dotes artísticos em absoluto foram castrados por uma faca afiada, mas por conta da anestesia, continuamos a salivar como animais irracionais ao ver um pedaço de carne no chão. Anestesiados estamos a  tal ponto que de fato custamos a perceber que caminhamos no sentido contrário à transcendência ou a o que realmente precisamos: humanidade, ou seja, a ferida ainda está aberta.

Não é meu objetivo falar nesta postagem sobre o despreparo dos professores ou do descaso do governo em relação aos estudos, o que me faz repetir: a minha visão é exprimir os erros dentro do próprio ato de ensinar.



Não focarei também minha crítica ao sistema capitalista. Ao menos, volto a dizer, não nessa postagem. Mas é clara a percepção de que desde que começou a ser necessário um investimento técnico para se tornar um profissional - de qualquer área - o ensino institucional tornou-se uma máquina enferrujada que produz robôs defeituosos. Defeito esse que surge em dois sentidos: moral e prático. A primeira causa se dá por ser um esforço inválido, e a segunda, por muitos sequer terem a capacidade de fazer algo errado corretamente.

A maior parte dos ensinamentos são focados a um futuro incerto no qual seremos induzidos a ser o que na verdade, nada pode ter a ver com nossa essência, pois o "certo" é visar ao lucro. Mesmo que ninguém ouse mencionar isso explicitamente.

"Choose your weapon": medicina, direito ou engenharia?

E não venha com o argumento de que eu sou um frustrado por não ter conseguido a aprovação em qualquer desses cursos, já que este ano, estou a abandonar o curso de direito por ter notado que o mesmo nada tem a ver comigo.

Mas o que aconteceu com a aula de música? Com as aulas de pintura ou história dos índios? Foram jogadas no lixo, assim como nós seremos quando estivermos prestes a buscar a aposentadoria. É verdade, de uma maneira bem distinta quando comparada a países como Japão ou Canadá, o nosso respeito aos idosos é mérito de vergonha absoluta.

O vídeo abaixo retrata uma palestra de 20 minutos - desta vez ninguém pode reclamar da duração dos vídeos (risos) - que fala um pouco sobre o meu ponto de vista, e creio que seja extremamente válida de ser assistida:



Parte 2, clique AQUI.

Por mais que pareça, eu não estou querendo dizer que as escolas são inúteis. Muito pelo contrário, a minha vontade é demonstrar que o caminho da educação está errado, distorcido. Eu entendo que através do ensino, caminhos para o mundo das drogas e da ignorância são dizimados, dentre outros aspectos positivos. Mas, no primeiro momento em que nós quisermos preservar a figura do humano, nos desapegando - o que não quer dizer, "livrando-se" - dos bens materiais, poderemos investir em uma educação de qualidade e capacitante, o que nos fará afinal, ser um país de primeiro mundo não no sentido material, mas intelectual e moral.

O primeiro grande passo é fazer com que os professores ouçam mais e vomitem menos. Apesar de sermos - ironicamente - iguais perante o poder da Constitucional, nós, de fato, somos distintos no âmbito do entedimento e da interpretação do mundo, já que viemos de diferentes realidades.

Concluindo, os ensinamentos cujo foco baseia-se em vestibulares ou profissões socialmente reconhecidas, nunca serão de grande utilidade moral, já que, como dizia Kant, a ação muitas vezes depende da qualidade da intenção.

Por Italo Lins

2 de dezembro de 2009

Baroness - Blue Record



1.
"Bullhead's Psalm"
1:20
2.
"The Sweetest Curse"
4:31
3.
"Jake Leg"
4:23
4.
"Steel That Sleeps the Eye"
2:28
5.
"Swollen and Halo"
6:35
6.
"Ogeechee Hymnal"
2:36
7.
"A Horse Called Golgotha"
5:21
8.
"O'er Hell And Hide"
4:22
     9. "War, Wisdom and Rhyme"

4:26
     10. "Blackpowder Orchard"

1:01
     11. "The Gnashing"

4:18
     12. "Bullhead's Lament"

2:59

Baroness, caso traduzido do inglês para o português, acaba sendo sinônimo de nobreza. E é nesse antro de coroação que os norte-americanos de Savannah, Georgia, lançam seu segundo LP, de nome "Blue Record", que dá uma continuidade fotocromática ao trabalho anterior, intitulado "Red Record". É fácil de perceber  o quão artístico o Baroness é, já que o guitarrista e vocalista John Baizley, além de ser extremamente criativo musicalmente falando, também trabalha com artes gráficas, sendo ele o responsável pelas capas de vários álbuns, encartes e camisas de bandas como Kylesa e Darkest Hour.

Das cores para a música, nós podemos perceber que o azul, na maior parte das vezes simboliza a calma, o mar, o céu. Observamos isso refletido em várias passagens do álbum como a faixa de introdução "Bullhead's Psalm" e sua continuação ao final da gravação com "Bullhead's Lament". Mas não pense que o álbum é uma calmaria, pois conseguiram misturar de uma maneira espetacular as guitarras e a bateria do hardcore e post-punk, os riffs oitavados do heavy metal, o baixo distorcido do metal progressivo e os vocais do thrash metal, que unidos, dão nome ao sludge metal.

Como citado, a introdução com "Bullhead's Psalm" é melódica, embora eu possa ir além e dizer que ela é instrumental, lembrando a época em que os alemães do Heaven Shall Burn produziam músicas clássicas, a exemplo do álbum "Antigone". A sequência, entretando, já demonstra, à lá Las von Trier, cieneasta de renome, que o "caos reina". "The Sweetest Curse" e "Jake Leg" - uma das mais instigantes do cd - expressam os vocais sempre gritados de uma maneira na qual a técnica de canto parece não existir e que a ordem realmente não existe. O que não significa que o álbum deixa de ser coeso - muito pelo contrário, a coesão é um dos melhores atributos do Álbum Azul.

Variando de músicas melódicas e em sua maioria instrumentais como em "Steel that Sleeps the Eye", "Ogeechee Hymnal", "O'er Hell and Hide" para músicas agressivas - e em até certo ponto, dançantes - como a excelente "Swollen and Halo", "A Horse Called Golgotha" e "War, Wisdom and Rhyme", é tranquila a percepção que o trabalho do baterista Allen Blicke, com suas viradas maravilhosas e um perfil catchy, é excelente e muito bem ritmado.



E é exatamente na faixa "A Horse Called Golgotha" - apesar do bizarríssimo vídeo clipe - que percebemos o excelente trabalho das guitarras de John Baizley e Peter Adams, que com suas seis cordas muitas vezes em estilo oitavado - mesmas notas, mas em diferentes tons - variam do leve para o pesado em poucos minutos, com o uso, inclusive, de cordas de náilon nos violões.

Mesmo sendo bastante experimental, o Baroness fez com que esta gravação fosse exemplarmente coesa, me fazendo concluir que eles conseguem ser simples quando necessário e complexos quando requisitados. Para os Sludge Metal addicteds, o "Blue Record" pode ser considerado um dos melhores lançamentos do ano de 2009.

Para acessar o myspace da banda, clique AQUI.
Para fazer o download do álbum via torrent, clique AQUI.

Por Italo Lins

Revista HORNS UP N°10



Revista HORNSUP Nº10

Revista de música gratuita que conta com a participação de um dos membros do blog Animus Mundus (Italo Lins) dispõe para download 54 páginas com entrevistas, matérias, colunas e resenhas de CD e shows.

Entrevistas: Killswitch Engage, Suicide Silence, August Burns Red, Despised Icon, Skindred, Baroness, The Red Chord, Questions, Simbiose e Distraught.

Resenhas de CDS: 44.

Ao vivo: Maquinária, Killswitch Engage, Moonspell/Tiamat, The Exploited, Dragonforce, RX Bandits, Stratovarius e Simbiose.

Sorteio de prêmios
Dois vídeos: August Burns Red e Skindred.
Uma música: Questions

Faça o download da edição nº 10 aqui.
Faça o download de todas edições anteriores aqui.

Fonte: Matheus Moura, editor-chefe da revista HORNS UP e equipe. 

Por Italo Lins

1 de dezembro de 2009

2012



Segundo historiadores, arqueólogos e geólogos responsáveis pelo profundo estudo das civilizações pré-colombianas, por volta dos dias 21 e 23 de dezembro do ano de 2012 do Calendário Gregoriano, o ciclo de longos 5.125 anos do Calendário Maia chegará ao seu desfecho.

Os Maias, que foram habitantes da Península de Lucatã (hoje, a Guatemala) até o ano de 1492, possuíam uma sociedade de cultura extremamente dinâmica, que os levou a ser um marco tanto na arquitetura, como na escrita.

Antes da entrada do colonizador espanhol, a civilização Maia estava a desenvolver um Calendário em forma de espiral. Apesar de peculiar, o formato do Calendário simbolizava a repetição de fatos como guerras ou colheitas. A ponta dessa espiral representava o fim de um ciclo, o que faz muitos intérpretes pensarem que acontecerá uma mudança radical no pensamento e no corpo dos homens. A primeira versão defende o caminho de que os homens transcenderão, já a segunda, afirma que o apocalipse está a cada dia mais próximo.

Uma das teorias do "dia do julgamento", retrata a inversão dos polos do planeta, como visto na ilustração abaixo:


E foi nessa segunda teoria que Roland Emmerich, produtor de "Independence Day" e "Godzilla" se inspirou para produzir "2012", um filme que daqui para 21 ou 23 de dezembro, causará pânico nas pessoas mais ingênuas ou demasiadamente apegadas à vida.

Sinopse:

Buscando raízes no mito do Calendário Maia, um cientista indiano esquadrinhou que no último mês de 2012 o alinhamento dos planetas iria acontecer, gerando uma mutação da luz solar. Mudança de elétrons essa que atacará o planeta Terra em forma de terremotos e tsunamis.



Ao saber da descoberta, um geólogo norte-americano (Chiwetel Ejiofor) alerta os principais governantes de seu país, que sabendo que nada poderia ser feito para salvar o mundo, investem junto às pessoas mais ricas em uma arca, para que lá estejam protegidos da "ira dos deuses".

Jackson Curtis (John Cusack), um fracassado escritor de novellas, ao acreditar em um hippie que observava bases militares, tenta salvar sua família e sua vida da destruição do mundo, se dirigindo então a uma das arcas enquanto terremotos engolem as maiores metrópoles e tsunamis lavam os humanos do solo.

Crítica:



Se você assistiu ao trailer acima, muito provavelmente percebeu que ao final a mensagem de "descubra a verdade sobre 2012" foi sugerida. Bem, se você realmente quiser saber com mais detalhes sobre o fim do Calendário Maia, procure no google, em livros de história ou espere alguns dias por uma postagem mais esclarecedora aqui no Animus Mundus. Garanto a você que nesse filme você não irá notar algo além da velha megalomania norte-americana, prédios desabando e tsunamis por todos os lados.

Caso você seja adepto do estilo de direção de Roland Emmerich, "2012" pode ser responsável por longas duas horas e meia de diversão. Ser adepto ao estilo citado significa, ao meu ver, presenciar uma destruição a nível global sem precisar raciocinar sobre o que acontece, e ao chegar em casa, não precisar bater em ninguém por já ter descontado suas frustrações com seu globo ocular.



Apesar da produção gráfica estar de parabéns, há dois fatores que estragam totalmente a qualidade do filme: roteiro extremamente fraco e personagens incrivelmente "sortudos".

A começar pelo roteiro, é inacreditável que a palavra "Maia" tenha sido citada, se muito, duas ou três vezes, deixando um assunto tão curioso e atual passar despercebido. Como visto na sinopse, quem descobre que o fim do mundo está próximo é um cientista indiano, que entrando em contato com seu amigo geólogo norte-americano, deixa os presidentes do mundo alarmados. Mas epa, que estranho, não? Será que os presidentes são figuras tão importantes ao ponto de deixarmos o futuro do planeta em suas únicas mãos?

Embora o filme ainda tente agregar valores humanitários ao ver as pessoas se salvando, mensagens como a de um dos protagonistas como "Eu passei minha adolescência lendo mais de 2.000 livros. Mas o que afinal eu consegui? Conhecimento, mas nenhuma mulher" são um tanto desencorajadoras quando você pensa em tirar algo ético do mesmo.

Em relação a "sorte dos personagens", é incrível como simplesmente tudo acontece no último segundo, no último centímetro ou na última pessoa. Chega a ser irritante o fato de você saber que os personagens não vão morrer em dado momento, por ser tão previsível.

Tirando um pouco da conclusão do meu post de "Tiros em Columbine", chega a ser engraçado como fatos que ocorrem em países importantes são relevantes, enquanto em outros, são insignificantes. Por exemplo, as tsunamis ocorrem praticamente todos os anos na região sul da Ásia. Então o que importa o ano de 2012 se a cada mês de julho ocorre o fim do mundo para tantos humanos?



Obs: A figura acima não faz parte do filme "2012".

Enfim, eu aconselho que você não vá com as expectativas altas para ver "2012" porque apesar de divertido em certos pontos, o filme chega a ser extremamente entediante por ser tão superficial, previsível e irrelevante intelectualmente. Mas caso você esteja na vontade de passar uma tarde à toa, bem... não existe a opção de "devolver o dinheiro" por não ter apreciado a obra.

Para fazer o download do filme via torrent, clique AQUI.

Por Italo Lins